sexta-feira, novembro 28, 2008

1 - A dignidade do Padre - P.I

I- Idéia da dignidade sacerdotal

Diz Sto. Inácio mártir que a dignidade sacerdotal tem a supremacia entre todas as dignidades criadas 2. Santo Efrém exclama: “É um prodígio espantoso a dignidade do sacerdócio, é grande, imensa, infinita 3. Segundo S. João Crisóstomo, o sacerdócio, embora se exerça na terra, deve ser contado no número das coisas celestes 4. Citando Sto. Agostinho, diz Bartolomeu Chassing que o sacerdote, alevantado acima de todos os poderes da terra e de todas as grandezas do Céu, só é inferior a Deus 5. e Inocêncio III assegura que o sacerdote está colocado entre Deus e o homem; é inferior a Deus, mas maior que o homem 6.

Segundo S. Dionísio, o sacerdócio é uma dignidade angélica, ou antes divina; por isso chama ao padre um homem divino 7. Numa palavra, concluí Sto. Efrém, a dignidade sacerdotal sobreleva a tudo quanto se pode conceber 8. Basta saber-se que, no dizer do próprio Jesus Cristo, os padres devem ser tratados como a sua pessoa: Quem vos escuta, a mim escuta; e quem vos despreza, a mim despreza 9. Foi o que fez dizer ao autor da Obra imperfeita: Honrar o sacerdote de Cristo, é honrar o Cristo; e fazer injúria ao sacerdote de Cristo, é fazê-la a Cristo” 10. Considerando a dignidade dos sacerdotes, Maria d’Oignies beijava a terra em que eles punham os pés.

[A Selva - SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO]

1. Terrível verdade que a experiência de cada dia tristemente confirma!
2. Omnium apex est Sacerdotium (Epist. ad Smyrn.).
3. Miraculum est stupendum, magna, immensa, infinita Sacerdotii dignitas (De Sacerdotio
1.3).
4. Sacerdotium in terris peragitur, sed in rerum coelestium ordinem referendum est (De Sacerd.
1. 3.).
5. O Sacerdos Dei! si altitudinem coeli contemplaris, altior es; si omnium dominorum
sublimitatem, sublimior es; solo tuo Creatore inferior es (Catal. gloriae mundi, p. 4. cons. 6).
6. Inter Deum et hominem medius constitus; minor Deo, sed major homine (In Consecr. Pont.
s. 2).
7. Angelica, imo divina est dignitas. — Qui sacerdotem dixit, prorsus divinum insinuat virum
(De Eccl. Hier.).
8. Excedit omnem cogitationem donum dignitatis sacerdotalis (De Sacerdotio).
9. Qui vos audit, me audit; et qui vos spernit, me spernit (Luc. 10, 16).
10. Qui honorat sacerdotem Christi, honorat Christum; et qui injuriat sacerdotem Christi,
injuriat Christum (Hom. 17).

quarta-feira, outubro 15, 2008

Blog Action Day 08 - Pobreza

Aproveitando, como muitos, e pela licita razão que se torna, o BAD-08, vou tratar sobre o assunto "Pobreza".

As imagens mais fáceis que se tem da palavra pobreza, e que renderam dividendos a grande mídia, é a de uma ou mais crianças etíopes com a fome a lhes mostrar os ossos sobre a pele. Falando de pobreza brasileira, a imagem iria oscilar entre um retirante nordestino e uma tomada cenográfica de uma favela, ou um desmoronamento de uma encosta qualquer. Esta pobreza é a "versão oficial".

Há muitas outras, escondidas de diversas formas, e por diversas razões, sobre as quais devemos deter o pensamento. A pobreza de espírito é talvez a mais fácil de perceber, porque nos angustia de imediato. A pobreza moral assola nossos lares antes mesmo de se tornar notícia na política, e é provavelmente a mais grave e a principal responsável pela situação na qual nos encontramos, em todos e quaisquer aspectos. Mas acima de todas, a que custará mais tempo e esforço para que se corrija, é a pobreza educacional.

E não estou falando de indicadores, índices, provas, provinhas ou provões estatais. A educação, seja ela doméstica ou escolar, superior ou complementar, gratuita ou paga, seja ela qual for, faliu.

Não há mais quem ensine, os pais não foram ensinados, não tem educação formal básica nem para si, quanto mais para a adequada formação dos filhos, alguns poucos ainda tentam, totalmente sem domínio do assunto, mas a maioria desistiu de ensinar aos seus qualquer conceito que possa ser tomado como "boa educação". Os que podem esperam isto das escolas caras.

Nas escolas, os professores, que sequer conseguem estabelecer uma relação de respeito mútuo, se esforçam para repetir parágrafos ensaiados e memorizados, por aqueles que foram seus professores, sem entender a real dimensão da matéria, sem compreensão, sem domínio. Normalmente, com alguma razão, culpam os pais, pela educação que não deram aos filhos, e que escusa e justifica a falha que terão como educadores.

No ensino superior, os mestres e doutores limitam-se a garantir que o processo todo não falhe, produzindo incontáveis incapazes diplomados, que durante o curso concentram todos os esforços num único objetivo: Carpe Diem.

Mas não foi apenas a instituição familiar que falhando justificou a falha da escola, e que permite a universidade, ao receber o produto incompleto desse ciclo, gerar cópias infinitas de um pensamento único e padronizado, que não é questionado nem corrigido, pois os professores não sabem do que falam e os alunos não tem interesse em aprender, concentram-se todos em executar o processo, levando o aluno a encerrar os semestres com uma nota que denote o aproveitamento razoável das asneiras que lhe ensinaram.

Ainda que alguém, bem intencionado decidisse quebrar este círculo vicioso, não teria ferramentas, não haveria professores preparados para realmente ensinar, mesmo que encontrasse alunos desejosos de aprender.

Talvez fosse a hora de parar todo o processo, e recomeçar do início, ainda que só houvessem algumas vagas e que a quase totalidade dos alunos ficassem simplesmente excluidos. Teríamos um grande ganho, pois pelo menos a maioria conheceria a verdade da própria situação, não existiriam tantos diplomados incapazes, todos prontos a ensinar a próxima geração.

Como resolver o problema familiar já não sei, seria muito complicado proibir os pais incompetentes de reproduzirem-se.

Alessandro Martini

domingo, setembro 21, 2008

Quando se Pensa...

Hugo Wast


Quando se pensa que nem a Santíssima Virgem
pode fazer o que pode um sacerdote;

Quando se pensa que nem os anjos, nem os arcanjos,
nem Miguel, nem Gabriel, nem Rafael,
nem príncipe algum daqueles que venceram a Lúcifer
podem fazer o que pode um sacerdote;

Quando se pensa que Nosso Senhor Jesus Cristo, na última Ceia,
realizou um milagre maior que a criação do mundo com todos os esplendores,
e foi converter o pão e o vinho em Seu Corpo e Seu Sangue para alimentar o mundo;
e que este portento, ante o qual se ajoelham os anjos e os homens,
pode repeti-lo cada dia um sacerdote;

Quando se pensa no outro milagre que somente um sacerdote pode realizar:
perdoar os pecados, e que o que ele ata no fundo de seu humilde confessionário,
Deus, obrigado por sua própria palavra, o ata no Céu,
e o que ele desata, no mesmo instante o desata Deus;

Quando se pensa que a humanidade foi remida e que o mundo subsiste
porque há homens e mulheres que se alimentam cada dia
desse Corpo e desse Sangue redentor que só um sacerdote pode realizar;

Quando se pensa que o mundo morreria da pior fome
se chegasse a faltar-lhe este pouquinho de pão e esse pouquinho de vinho;

Quando se pensa que isto pode acontecer,
porque estão faltando as vocações sacerdotais;
e que quando isto acontecer os céus se comoverão e explodirá a terra,
como se a mão de Deus tivesse deixado de sustentá-la;
e os povos uivarão de fome e de angústia
e pedirão este pão e não haverá quem lho dê;
e pedirão a absolvição de suas culpas,
e não haverá quem as absolva,
e morrerão com os olhos abertos pelo pior dos espantos;

Quando se pensa que um sacerdote faz mais falta que um político,
mais que um militar, mais que um banqueiro, mias que um médico, mais que um mestre,
porque ele pode substituir a todos e ninguém o pode substituir;

Quando se pensa que um sacerdote quando celebra no altar
tem uma dignidade infinitamente maior que um rei;
e que não é nem um símbolo, nem sequer embaixador de Cristo,
mas o próprio Cristo que lá está repetindo o maior milagre de Deus;

Quando se pensa tudo isto,
compreende-se a imensa necessidade de fomentar as vocações;

Compreende-se o afã com que, em tempos antigos,
cada família ansiava que de seu seio brotasse,
como uma vara de nardo, uma vocação sacerdotal;

Compreende-se o imenso respeito
que os povos antigos tinham pelos sacerdotes,
o que se refletia em suas leis;

Compreende-se que o pior crime que pode cometer alguém
é impedir ou desanimar uma vocação;

Compreende-se que provocar uma apostasia
é ser como Judas e vender a Cristo de novo;

Compreende-se que se um pai ou uma mãe
impedem a vocação sacerdotal de um filho,
é como se renunciassem a um título de nobreza incomparável;

Compreende-se que mais que uma igreja, mais que uma escola,
mais que um hospital, é um seminário ou um noviciado;

Compreende-se que dar para construir ou manter
um seminário ou um noviciado é multiplicar os nascimentos do Redentor;

Compreende-se que dar para custear os estudos
de um jovem seminarista ou de um noviço
é aplainar o caminho por onde há de chegar ao altar um homem,
que durante meia hora, cada dia,
será muito mais que todas as dignidades da terra
e que todos os santos do céu, pois será Cristo mesmo,
sacrificando Seu Corpo e Seu Sangue, para alimentar o mundo.

Fonte: http://www.adapostolica.org/modules/wfsection/article.php?articleid=444